CRÔNICA: Sobre a farsa das aparências que fingimos até para nós mesmos
A valsa de Amélia Amélia acabara de fazer dezesseis anos e estava a caminho de seu primeiro baile, tendo como acompanhante a sua querida mãe, que desejava empurrar sua filha para os pretendentes ricos do salão. Dejeso que não tardou para se cumprir, como se o baile a tivesse esperado apenas para tornar isso real. Assim que chegaram ao Salão do Alvorecer, as portas se abriram solenemente e uma linda garota em seu vestido que fora perfeitamente apertado ao ponto de lhe negar o direito de respirar e saltos brilhosos entrou, e em sua mente ressoava a frase que sua mãe lhe dissera antes de descerem da carruagem: "A virtude é o perfume da mulher. Não o espalhe, apenas deixe que sintam." As portas se fecharam, olhos a observavam, cochichos a mediam e homens de todos os cantos do salão foram cumprimentá-la, com a desculpa de agirem segundo a etiqueta, quando na verdade queriam saber de perto se ela seria aquela que teria o privilégio de atender as listas de uma esposa ideal que estav...